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RMC tem 220 mil desempregados e 55 mil procuram por trabalho há mais de dois anos, estima PUC

Notícias 24 de dezembro de 2019


Na segunda reportagem da série que analisa crise na região, projeção do Observatório PUC-Campinas aponta ainda que 361.601 trabalham por conta própria na região de Campinas. Crise na RMC: moradores contam sobre o desemprego e informalidade
A crise econômica que dilapidou postos de trabalho elevou para 220 mil o número de pessoas desempregadas na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Desse total, 25% estão à procura de recolocação no mercado formal há mais de dois anos. A estimativa faz parte do estudo feito pelo Observatório da PUC-Campinas e que o G1 publica ao longo desta semana em uma série de cinco reportagens.
RMC recupera só 32% dos postos perdidos na crise e ‘empobrece’ R$ 606 milhões
A recessão que derrubou a geração de emprego na região a partir de 2014 também criou novas relações de trabalho. Reflexo disso é o aumento da informalidade. O levantamento feito pelos economistas aponta que 361 mil trabalhadores atuam por conta própria [fora de empresas], além de 93.555 estão subocupados por insuficiência de horas.
“Emprego com carteira nem procuro mais. Todos os lugares que fui eu não consegui nada”.
A frase acima, do pedreiro Daniel Oliveira, de 47 anos, resume o sentimento de milhares de trabalhadores da região. Sem vaga no chamado mercado formal, sobrevive com os bicos.
O pedreiro Daniel Oliveira, de 47 anos, conta que desistiu de procurar emprego com carteira assinada
Fernando Evans/G1
“Eu faço qualquer tipo de serviço, qualquer área. Só que a época agora estou tendo dificuldade. Vejo estatística que a construção civil está retomando, mas pra mim ainda não aconteceu. Estou na esperança, na virada do ano, quem sabe com a ajuda de Deus, melhora as coisas pra gente”, diz.
Morador do Satélite Íris 3, ele busca sustento para a esposa e quatro filhos – uma delas, de seis anos, é deficiente. “Minha mulher não pode trabalhar porque fica cuidando da menina, que faz fisioterapia três vezes por semana. Mas vamos tocando. Com a ajuda de um e de outro ali, nos vencemos”, afirma.
Estimativa indica que 220 mil pessoas estejam desempregadas na RMC
Sobreviventes
O alagoano Júnior de Souza Silva, de 25 anos, conta que veio para São Paulo há oito anos. Apesar das dificuldades e da falta da carteira assinada, confia que o cenário vai melhorar.
Trabalhando como ajudante de pedreiro em um bico na região do DIC V, em Campinas, ele conta que o sustento vem desse tipo de trabalho, informal.
“Sou um guerreiro, um batalhador. Tento correr atrás, mas as portas fechadas. Não sei que mistério é esse. A crise tá difícil, mas para Deus nada é impossível. Já tive carteira de trabalho, só que deu quebra de contrato. O que pinta é bico, trabalho temporário mesmo”, conta.
Elenice Rodrigues Lima do Vale mostra o último registro em carteira, quando foi demitida em 2014
Fernando Evans/G1
‘Tristeza, depressão’
Simpática e sorridente apesar das dificuldades, Elenice Rodrigues Lima do Vale conta que se vira como pode nos tempos de crise. Sem o emprego com carteira assinada, fez artesanato. Craque no uso do barbante, vendeu jogos de banheiro e de cozinha do material por um tempo, mas agora, ela diz, ninguém “está comprando nada”.
Diante da porta de casa, que nem muro tem no Jardim Rosalina, a fortaleza da mulher que batalha por um emprego cai por um instante. Ao contar que a falta do salário digno impede que ela possa comprar aquilo que os filhos e netos gostariam de receber, Elenice revela uma das faces terríveis do desemprego: a depressão.
“A gente fica triste, né. Não poder comprar o que os filhos e netos querem. Fico chateada, vai entrando em depressão. Se você está trabalhando, vai até a cidade, compra algumas coisas e isso faz bem para você. Sem trabalhar, vou lá fazer o quê? Comprar faz bem pra gente”, resume.
Resultado por município
O levantamento mostra que as 20 cidades da RMC perderam, juntas, 78,2 mil postos de trabalho com carteira assinada entre 2014 e 2017. Neste período, apenas quatro municípios tiveram saldos positivos de emprego: Engenheiro Coelho (SP), Holambra (SP), Jaguariúna (SP) e Santo Antônio de Posse (SP).
De 2018 a 2019, o cenário inverteu: três cidades tiveram saldo negativo, enquanto as demais conseguiram criar novos postos. No entanto, o resultado geral ainda foi de 32% em relação ao que foi perdido de 2014 a 2017.
Veja mais notícias da região no G1 Campinas
Source: Notícias de Campinas e Região

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