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Índice de sobreviventes de câncer no Boldrini chega a 76% em 40 anos; conheça história de paciente

Notícias 30 de dezembro de 2019


Balanço apresenta dados de 1978 a 2018, divididos em intervalos de dez anos. Neste fim de ano, G1 decidiu mostrar números que transformaram realidades positivamente. Vinícius Gianeti é sobrevivente de câncer e compartilhou sua história ao G1
Um levantamento do Centro Boldrini, hospital de Campinas (SP) referência na América Latina para o tratamento de câncer infantil, apontou que o índice de pacientes tratados na unidade que sobreviveram a doença chegou a 76% no período de 40 anos. O balanço apresenta dados de 1978 a 2018, divididos em intervalos de dez anos.
Neste fim de ano, o G1 decidiu mostrar números que transformaram realidades positivamente. Nesta reportagem, você confere a evolução do tratamento do câncer no Boldrini, que reduziu significativamente o índice de mortes pela doença nas últimas quatro décadas.
Em 1978, por exemplo, o percentual de sobreviventes era 47,2%, um terço menor do que os 76% apresentados no ano passado. Além dos números, o portal também conta a história de um representante desta sobrevida, que passou pelo tratamento, precisou amputar a perna por conta do câncer e atualmente trabalha como psicanalista. [assista ao vídeo acima]
Segundo os dados apresentados pelo hospital, do total de pacientes tratados no Boldrini de 1978 até 2018, 5,8 mil sobreviveram a algum tipo de câncer, enquanto 2,7 mil vieram a óbito. No gráfico abaixo, é possível ver o índice percentual de mortes e sobreviventes na unidade médica em cada uma das quatro décadas.
De acordo com o balanço, a década que o Boldrini mais registrou óbitos de pacientes foi de 1998 a 2007, com 853 mortes em decorrência de câncer. Já no último período analisado, de 2008 a 2018, o número reduziu para 701. Confira no gráfico os números absolutos de mortes em 40 anos.
No intervalo dos últimos dez anos, a unidade médica considera que 2,2 mil pacientes atingiram a sobrevida do câncer, considerada quando a pessoa termina de fazer o tratamento e não tem o retorno das células cancerígenas. O número representa 37,7% do total de sobreviventes tratados no hospital de 1978 a 2018.
Ainda considerando apenas o período de 2008 a 2018, o tipo de câncer com maior índice de sobreviventes é o de retina, com 96,43%. Já o que tem menor percentual de sobrevida é o melanoma. Veja o número dos últimos dez anos separados por cada doença oncológica.
Sobreviventes divididos por tipo de câncer
Tecnologia e estudo
Segundo a oncologista e presidente do Boldrini, Sílvia Brandalise, a redução das mortes é consequência do avanço da ciência, com o desenvolvimento de novas tecnologias e estudos para o combate ao câncer. Além disso, a médica afirmou que a sobrevivência à doença também depende de uma melhora na estrutura social para que o paciente tenha acesso ao tratamento.
“Eu não tenho dúvida que o aumento da sobrevida decorreu de estudos clínicos onde você tem um grande foco: maior eficácia e menos efeitos colaterais. Além disso, nós temos que garantir, para a adesão ao tratamento, que a pessoa tenha transporte gratuito, hotelaria gratuita, alimentação gratuita e um acesso 24 horas por dia todos os dias da semana”, explicou.
Vinícius Gianeti descobriu um tumor ósseo quando tinha 14 anos
Marcello Carvalho/G1
As quadras e a descoberta
Em maio de 2002, Vinícius Gianeti, à época com 14 anos, tinha um grande prazer na vida: jogar basquete e se tornar um atleta profissional da modalidade. Naquele momento, tudo conspirava para que a missão fosse cumprida, já que o jovem treinava em um clube de Campinas todos os dias por um período de duas a três horas. Em um dos treinos, ele começou a sentir dores no joelho esquerdo e teve dificuldades para saltar.
O pensamento natural do “não é nada” ou “é só uma dor muscular” durou duas semanas. Passados os 15 dias, a dor se intensificou e os pais do garoto decidiram investigar. Após uma ressonância magnética, veio o diagnóstico improvável para um adolescente de 14 anos que tinha vida de atleta. Vinícius estava com um câncer ósseo na tíbia esquerda que o impediria de se tornar um jogador profissional de basquete.
A indicação do médico foi iniciar a quimioterapia e depois fazer uma cirurgia para a retirada do tumor. Foi aí que surgiu a relação de Vinícius com o Centro Boldrini. Ele internou na unidade médica para fazer a primeira sessão do procedimento e começou a sentir as reações do tratamento, como ânsia, vômito e queda de cabelo. Dores e incômodos que o acompanhariam por muito tempo.
“Eu não tinha consciência da gravidade e nem do que eu estava passando. Criança vai no hospital pra ser curado, adulto é que vai com o medo de morrer. Eu só queria passar por aquilo para saber quando que eu iria poder voltar a jogar basquete. Meus pais é que estavam mais tocados, eles tinham noção exata do que estava acontecendo”, afirmou.
Enquanto ainda passava por sessões de quimioterapia, Vinícius fez a cirurgia para a retirada do tumor. No procedimento, os médicos tiraram 12 centímetros de osso da perna esquerda do jovem. Depois do “alívio” de não ter mais as células oncológicas no corpo, o garoto se deparou com outro problema. A prótese interna colocada na perna foi rejeitada e ele começou a passar por um processo de infecção que duraria cinco anos e causaria danos físicos, psicológicos e sociais profundos.
Atualmente, Vinícius trabalha como psicanalista e também atende pacientes oncológicos
Marcello Carvalho/G1
O drama
A infecção apresentou a Vinícius o lado mais sombrio da doença. Sem conseguir colocar a perna no chão, sentindo muitas dores, e com a rotina de ir frequentemente ao hospital para passar por uma raspagem na tentativa de conter a bactéria, o jovem desabou. Se afastou das atividades, se isolou dos amigos, deixou de sair e entrou em uma forte depressão que precisou ser tratada com muitos anos de terapia.
O impedimento de jogar basquete também incomodava muito o jovem e contribuía ainda mais para que ele se sentisse inferiorizado. “Eu na verdade queria a piedade dos outros, eu queria que as pessoas sentissem pena de mim. Eu tinha muita dificuldade em aceitar a minha realidade, tanto que, durante os cinco anos de infecção, eu não tive coragem nem de ver um jogo de basquete”, disse.
O isolamento e a tristeza de Vinícius só não foram maiores por conta do apoio da família. Os pais e as irmãs do jovem sempre estiveram ao lado do garoto, tanto que a doença acabou mexendo financeiramente na rotina, já que eles estavam construindo uma casa e tiveram que vender por conta das despesas do tratamento.
“Isso foi uma coisa que também me perturbou por muito tempo, essa culpa da gente não ter conseguido realizar o sonho por conta da minha doença. O câncer cria uma dor social em você. Você perde o vínculo com as pessoas porque acaba perdendo o vínculo com você mesmo”, revelou.
Como a infecção não passava e os incômodos por praticamente não conseguir mexer a perna estavam cada vez maiores, o médico sugeriu a amputação, alternativa que no início foi rejeitada pelo garoto. Ao começar um processo de aceitação da própria condição, Vinícius retomou a socialização com as pessoas, entrou na faculdade de Publicidade e Propaganda e até arriscou alguns arremessos de basquete na quadra vazia do clube que era sócio.
Vinícius Gianeti passou por muito sofrimento e precisou amputar a perna
Marcello Carvalho/G1
A redenção
Como já estava melhor psicologicamente e havia superado a depressão, o jovem começou a admitir a possibilidade da amputação. A rotina de ida aos hospitais começou a cansar e a tentativa de curar a infecção por cinco anos se tornou um peso. Com a certeza do que queria, Vinícius pediu ao médico para que marcasse a cirurgia. Seis meses depois, ele amputou a perna esquerda e iniciou um reaprendizado de vida.
Com a prótese na perna, veio o alívio por poder voltar a andar novamente sem a ajuda de muletas, o que contribuiu ainda mais para que ele retomasse todas as atividades de estudos, trabalho e relações sociais. Sem, claro, esquecer o basquete. A quadra vazia encheu e Vinícius voltou a fazer jogos de brincadeira. “Eu falei pras pessoas: gente, não é pra me tratar como diferente. Pode bater, empurrar, eu vou jogar normal”, contou.
Formado em Publicidade, o jovem trabalhou em várias agências e departamentos de marketing de empresas até que conheceu a psicanálise. Curado do câncer e com as dores e traumas psicológicos também superados, Vinícius completou o que faltava para a realização total: uma profissão que lhe desse prazer. O ex-atleta estudou durante quatro anos e agora, aos 32, montou o próprio consultório e já possui uma cartela de pacientes, entre eles, oncológicos, que passaram por experiências semelhantes às dele.
“Eu tenho pacientes com diferentes questões. No caso dos oncológicos, muita coisa que eles passam, eu também passei. Eu não posso usar minha experiência pessoal para orientá-los, mas eu tento apresentar os caminhos para a aceitação daquela condição. A doença é um chamado, ela não é o fim. Muita coisa que acontece no seu cérebro reflete diretamente no seu corpo. É esse autoconhecimento que é preciso, às vezes o recurso para superar está em você”, pontuou.
Centro Infantil Boldrini, hospital referência no tratamento de câncer e doenças do sangue, em Campinas
Reprodução/TV Globo
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Source: Notícias de Campinas e Região

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